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Informação geral - Como foi produzida a população F1?

Sobreiros F1 e Investigação CientíficaComo pode ajudar?

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Escolha dos sobreiros progenitores

O sobreiro é uma espécie com comportamento reprodutivo algo imprevisível, principalmente ao nível da floração feminina. Por esta razão, as árvores-mãe foram selecionadas de uma população que é acompanhada desde 1992, e para a qual existe informação sobre a sua capacidade de floração e produção de fruto. Foram escolhidas 4 árvores-mãe, localizadas na Quinta da Serra, Azeitão.

Os progenitores masculinos estão situados em 3 propriedades distintas, geograficamente distantes de Azeitão, para minimizar a possibilidade de existirem relações de parentesco entre os progenitores. Em cada um dos progenitores foi recolhido pólen, que foi depois utilizado no processo de polinizações controladas. Um dos progenitores masculinos é o sobreiro cujo genoma está a ser sequenciado. No total foram selecionados 10 pais.

 

 


As polinizações controladas

Inicialmente, em Abril 2014, vários ramos nas árvores-mãe foram isolados com sacos de plástico. Este isolamento foi feito antes de as flores estarem completamente desenvolvidas, com o objetivo de evitar que as flores fossem polinizadas por pólen de origem desconhecida. Estes sacos permitem a passagem do ar, mas impedem a entrada de pólen ou de outros organismos.

      
  


As polinizações foram iniciadas quando a floração nas árvores-mãe era visível. O pólen foi recolhido nos progenitores masculinos, tratado e testado em laboratório, e posteriormente utilizado na polinização controlada das árvores-mãe. Cada árvore mãe foi polinizada com pólen de cada um dos 10 progenitores masculinos. Este processo decorreu em Maio 2014 e foi efetuado abrindo os sacos colocados nas árvores-mãe, introduzindo o pólen com a ajuda de um pincel, operação delicada porque as flores femininas do sobreiro são muito frágeis. No final os sacos foram novamente fechados, tendo sido abertos apenas quando as primeiras bolotas eram visíveis. Cada árvore mãe foi polinizada com pólen de cada um dos 10 progenitores masculinos.

 

Aparecem as bolotas

Os sacos foram retirados das árvores-mãe em Junho 2014, e no início de Julho 2014 eram já visíveis os primeiros sinais da produção de bolotas. Durante o Verão de 2014 as bolotas continuaram o seu desenvolvimento normal, aumentando em tamanho, até que em Outubro 2014 os sacos foram novamente colocados nos ramos, para facilitar o processo de colheita das bolotas.

 

Surgem os primeiros sobreiros

As bolotas foram semeadas durante Outubro-Novembro 2014, nos Viveiros de Santo Isidro, Pegões, cuja colaboração foi imprescindível. Cada bolota foi semeada num vaso individual, continuando a ser controlada a informação relativa aos progenitores. No final de Novembro 2014 apareceram os primeiros sobreiros. As germinações continuaram a decorrer, processo que na Primavera 2015 estava finalizado. Nesta altura, cada sobreiro foi identificado e iniciou-se o acompanhamento da população, tendo sido efetuadas as primeiras recolhas de material biológico e de dados fenotípicos.

 


O tempo passado nos Viveiros de Santo Isidro

 

Os sobreiros continuaram o seu desenvolvimento nos viveiros, com monitorização regular da equipa científica do projeto Genosuber e do pessoal dos viveiros. Em Dezembro 2015 todos os sobreiros foram mudados para vasos maiores, de forma a permitir que o desenvolvimento não fosse afetado pelo tamanho reduzido do vaso de germinação, em particular das raízes de cada sobreiro.

Durante 2016 e 2017 os sobreiros continuaram o seu desenvolvimento nos viveiros. Ficaram mais altos, ganharam vigor, até chegar a altura de serem instalados no terreno. Estes 2 anos foram também importantes para continuar o processo de recolha de dados fenotípicos, pelos investigadores do projeto Genosuber.

 

A mudança para o terreno

No final de Março 2018 iniciou-se a plantação dos sobreiros F1 num terreno localizado na Herdade da Abóbada – Centro de Experimentação do Baixo Alentejo, parte da Direção Regional de Agricultura e Pescas do Alentejo. A Herdade da Abóbada está situada perto de Vila Nova de S. Bento, concelho de Serpa.

 

Todo o processo envolve uma preparação cuidadosa do terreno, para garantir que estão reunidas as condições necessárias para a sobrevivência e desenvolvimento adequado dos sobreiros nos primeiros tempos depois da sua plantação no terreno, um processo que causa sempre algum stress aos sobreiros. Foi instalada uma cerca a delimitar todo o terreno, para evitar a entrada de animais domésticos ou selvagens, que pudessem danificar os sobreiros.


A preparação do terreno para a plantação dos sobreiros exigiu a abertura de buracos com 1,5 metros de profundidade, de forma a facilitar o desenvolvimento das raízes. Todo este processo envolveu a utilização de máquinas, durante vários dias. Foram também colocados tutores em cada sobreiro, e elaborado o mapa da plantação, de forma a continuarmos a acompanhar o desenvolvimento e a estudar estes sobreiros tão importantes.

 

 

A plantação dos sobreiros contou também com a participação de muitos investigadores, de várias instituições, empenhados em fazer tudo ao seu alcance para garantir a sobrevivência dos sobreiros F1. Passados já vários meses desde a sua plantação os sobreiros estão contentes na sua nova casa, parecendo estar adaptados ao Baixo Alentejo. O próximo passo será a instalação de um sistema de rega, para garantir que os sobreiros sobrevivem aos verões quentes do Alentejo. De futuro, a gestão e manutenção destes sobreiros vai continuar a ser um desafio significativo, pelo que todo o apoio será muito importante.

 

 

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